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Menos é mais: promovendo pequenas mudanças na alimentação

Corpo ideal?

Desde que eu me conheço por gente –  e eu fui criado no meio de muitas mulheres, diga-se de passagem – eu ouço sobre dietas. Emagrecer, ficar ‘magérrima’ para o verão, entre outras milhares de formas de se colocar a busca pelo corpo ideal. Mas primeiro quero discutir, na minha visão de nutricionista, como o corpo ideal mudou de tempos pra cá e como isso afeta nosso dia a dia.

No tempo das cavernas estávamos acostumados com a falta de alimentos. O homem deveria caçar e a mulher era responsável pela coleta de frutos, raízes e outros alimentos vegetais na natureza. Naquela época não era muito inteligente ter o corpo extremamente magro, porque o ser humano gastava muita energia para procurar os alimentos. Depois que aprendemos a plantar e a cuidar de animais para alimentação, o corpo ideal mudou um pouco. Era desejável e atraente ter o corpo mais robusto como um sinal de status social. Mulheres com muitas curvas eram retratadas nas pinturas e esculturas da época como as mais belas.

Padrões de beleza e dietas

Hoje em dia temos uma grande variedade disponível de alimentos, graças à industrialização e, com essa mudança veio também a mudança do padrão de beleza. Nas revistas e na grande mídia encontramos, no lugar das curvas, as modelos excessivamente magras estampadas nas capas, filmes e na televisão.  Já deu pra perceber então, que o que define o padrão de beleza de uma época é a arte, né? Pois é, mas será que se deixar levar pelo que a grande mídia define como bonito é saudável? Será que faz bem pras nossas cabeças e pro nosso corpo?

Não, mesmo. De tempos em tempos recebo no meu consultório jovens que querem o corpo inatingível ‘pra ontem’ e que já fizeram todo tipo de loucura pra tentar chegar lá. Já ouvi todo tipo de nome de dieta: da lua, da sopa, do abacaxi, do chá, do Paleolítico (quando foi que o primeiro homem das cavernas se olhou e falou “hummm, acho que preciso perder uns quilinhos”?) entre tantas outras que não vou conseguir lembrar. Todas elas, raras as exceções, sofreram com algo que a gente chama amigavelmente de efeito sanfona.

Acontece dessa maneira: como os homens das cavernas, você resolve não comer mais quase nada por um tempo. Seu corpo entende isso como uma agressão e entra em estado de alerta. Pra se defender, seu corpo vai fazer você sentir mais fome e, depois de um tempo, quando você voltar a comer normalmente vai acumular mais ainda do que tinha antes. Além disso, nesses períodos de dieta maluca o corpo perde músculos e, por consequência, vai gastar cada vez menos energia pra realizar as tarefas do dia a dia, tornando mais difícil ainda perder peso mais tarde. Sem contar, é claro, que essas dietas não contam com quase nada de vitaminas e minerais, tão importantes para o funcionamento de nosso organismo.

Mudança de hábito!

Para o ser humano, nenhuma mudança drástica e repentina é boa. De uma forma ou de outra, seja pro nosso corpo ou pra nossa mente, restrições absurdas vão acabar fazendo mal. O ideal, na verdade é começar com pequenas mudanças no nosso dia a dia que possam fazer a diferença no futuro.

Que tal tomar mais água nos intervalos das suas refeições? Comece com um copo de manhã ao acordar e leve uma garrafinha pro trabalho/escola/faculdade pra se hidratar melhor. E por que não comer mais frutas durante o dia? Coma uma entre o café da manhã e o almoço. Não costuma comer nada de café da manhã? Comece hoje. Tente fazer disso um hábito. Que tal trocar só hoje o refrigerante por um suco natural? Será que vai fazer tanta falta assim? Tenta, então, adicionar uma porção de salada ou de verduras no seu almoço. Aprenda a fazer um tempero gostoso que faça você sentir prazer em comer. Todas essas mudanças vão te fazer bem e, num contexto maior, podem fazer você perder peso sem nem ao menos reduzir UMA CALORIA sequer no seu dia a dia.

Assim como no amor, na nutrição (não consigo separar as duas coisas) são as pequenas coisas que contam. Cada pequena mudança de atitude conta. O que importa é ter o objetivo certo em mente. O bem-estar e a saúde devem estar sempre em primeiro lugar. O que vem em consequência é, mesmo, só consequência.

 

 

(Este é um texto de um dos colaboradores. Os comentários, opiniões e colocações são de inteira responsabilidade do autor. Não necessariamente refletem a opinião deste blog)

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